Em meio à frieza das grandes cidades e à superficialidade da religiosidade moderna, o Projeto Bom Samaritano, da Assembleia de Deus no bairro Reolon, em Caxias do Sul, surge como um exemplo concreto de amor ao próximo. Fundado em 2016 pelo pastor Ronilson Varela, o projeto teve início com a simples entrega de sopas durante a noite, mas logo ganhou estrutura e profundidade. Inspirado na parábola bíblica de Lucas 10.30-35 e na música de Anderson Freire, o projeto se firmou como resposta viva ao mandamento de Jesus: “Vai e faz o mesmo”.
Ao longo de seus nove anos de atuação, o Bom Samaritano já distribuiu mais de 60 mil pratos de comida. A cada semana, aproximadamente 150 pessoas – entre elas muitas crianças e famílias em situação de vulnerabilidade – são acolhidas com alimento, atenção e carinho. A estrutura envolve muito mais do que uma cozinha: há voluntários em diversas áreas, como pedagogia, psicologia, direito e ensino bíblico, que se revezam para oferecer uma experiência de cuidado integral.
O projeto vai além da alimentação. Com aulas de canto, música, atividades educativas e suporte emocional, o Bom Samaritano investe na transformação de vidas por meio da inclusão e da educação. Enquanto as crianças participam das oficinas, os adultos conversam com voluntários, compartilham experiências e encontram um espaço seguro para simplesmente existir. A comunidade é acolhida não só com pão, mas com escuta, fé e dignidade.
Uma das forças do projeto está em sua autossustentação. A produção artesanal de cucas, pães e panetones auxilia na manutenção das atividades, ao lado do apoio essencial da Faculdade da Serra Gaúcha (FSG), da Assembleia de Deus local e do pastor Joel Michel, presidente da igreja em Caxias do Sul. É a união entre fé, voluntariado e parceria institucional que permite que o Bom Samaritano continue fazendo a diferença.
Em um tempo onde a pressa e o individualismo dominam, o Projeto Bom Samaritano é um lembrete poderoso de que fé sem ação é vazia. Mais do que um serviço social, é um testemunho vivo de compaixão e solidariedade. A mensagem é simples e urgente: amar o próximo não é um conceito abstrato – é uma atitude diária, feita de mãos que servem, ouvidos que escutam e corações que se importam.

